As letras que compõem o canteiro deste blog germinaram naturalmente em solo regado de sensibilidade, amor, crítica, revolta, altruísmo e empatia. Não é minha pretensão agradar à todo mundo. Ainda que lhe cause o espanto, só lhe quero emocionar.
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Oceano
Funeral de Mim
Eu vos apresento o meu funeral
Eu já morri várias vezes
E fui ao meu funeral todas as vezes que morri
E chorei lágrimas grossas que rolaram como um rio por meu rosto
E penetraram-me a pele e atingiram-me a minha alma
E minha alma já fazia a viagem quando eu com ela me encontrava e a convencia a voltar
E, como a fénix, renasci todas as vezes
Minha alma aprendeu o caminho e já me voltava sozinha
Ao corpo ali exposto em urna fúnebre e coberto de flores
Ao invés de chorar passei a sorrir pelo renascimento
Parei de me vestir de preto
As flores do meu funeral e preferi enfeitar a minha casa com elas
Passei a levar cachaça e uma vitrola com uns vinis do Secos-e-molhados
Eu passei a dançar no meu funeral e a rir da morte
Um verdadeiro escárnio
Um deboche imperdoável
Mas a morte nunca se fez de indignada
Parecia mesmo era gostar
Continuo a morrer todos os dias
E sei que um dia vou morrer e não mais voltarei
Mas vou conversar eternamente com minha alma
E vamos morrer de rir
Wan Lucena
domingo, 13 de setembro de 2020
Umbilical
Olhe para o umbigo...
Um ponto...
Pode ser uma reticencia...
Basta imaginar...
A inspiração bater...
E nos levar...
Levar para o hifen entre as nossas pernas...
Para o O entre as nádegas...
E eis a poesia
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Macondo Sertaneja
terça-feira, 25 de agosto de 2020
SANTOS DO PAU OCO
domingo, 2 de agosto de 2020
A Rua do Sitio
Fazia tanto tempo que nada me animava a escrever uma crónica; que não entrava nem assistia ao meu Blog Alucenado que pareço mesmo enferrujado. Mas hoje é domingo e o Universo quis me presentear com boas surpresas. A virtualidade - bendita virtualidade - me trouxe a Radio da Academia Barra-cordense de Letras e o contato com uma turma que faz parte da nata cultural da minha Barra do Corda. Esta minha Macondo cheia de personagens intensos e riquíssimos que agora decidiram borbulhar em meu juizo e chacoalhar as boas e velhas lembranças da minha meninice.As ladeira do da Rua do Sitio - prefiro Rua do Sitio a Avenida Juscelino Kubistschek - que sobem para o bairro da Altamira e as olarias que faziam tijolos por mãos de meninos pobres e impúberes que precisavam ajudar os pais. As turmas a subir para acima do Sitio dos Ingleses para descerem Rio Corda abaixo em gritaria e algazarra. O Mete-mete e as cervejadas e as turmas a ouvir a boa música brega ou o bom e velho forró ou qualquer outro estilo.Ainda mais pra trás o menino que dormia na rede a ouvir os fones do Cine Canecão lá na Praça Melo Uchoa. Ante a pouca iluminação da cidade os astros e estrelas brilhavam mais intensamente e na imaginação do menino aquilo era quase de poder tocar.As piabas duras ou largas e o piaus cabeça-gorda que eram pescados em linha jogada com isca de angu feito de farinha seca e que depois seriam fritos no azeite de coco babaçu e que, acompanhados de farinha de puba, seriam almoço ou janta.Ela na tabua escanchada lavava as as trouxas de roupas por algumas migalhas que serviam pra comprar o café e pagar a conta de luz ou as doze prestações nas casas pernambucanas das roupinhas dos meninos ou daquele conjunto de cadeiras de macarrão comprados nos Armazéns Paraíba.Era grande a luta pela sobrevivência, mas graças aquilo tudo, hoje somos quem somos
domingo, 24 de novembro de 2019
Vergonhas Alheias
Ontem, mais uma vez, por whatssap, recebi um video altamente constrangedor de alguem que foi gravado em um quarto de motel. E só por citar o quarto do motel já se tem noção do conteudo do video. Eu respondi aos emissarios que jamais repassaria aquilo que parecia uma gozaçao boba com um outro ser humano flagrado em situaçao tao constrangedora. Esquece-se, quem brinca com a desgraça e vegonha alheia, que amanha a vitima pode ser ele proprio ou um ente querido. Rir das vergonhas alheias e jogar a reputaçao alheia na sargeta enquanto rimos é coisa tao antiga quanto o Adão e a Eva. A incapacidade de se colocar no lugar dos outros é ato monstruoso e reprovavel. Falta-nos a empatia, aquela capacidade cristã de nos colocarmos no lugar dos outros.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Grito Brasil
Eu desde aqui da Europa onde moro a olhar para o meu querido e lindo Brasil e a pensar porque nos submetemos a tanta injustiça. Quando será que iremos reagir? Será que cansamos da luta e desistimos da esperança de sermos ricos? Temos o país mais rico recursos naturais do planeta e termos tanta miséria e ignorância no nosso país. Daqui vejo todo o esplendor da beleza dos meus irmãos a explodir em cores brasílicas em suas festas e miscigenação. Que show que damos mesmo escravizados! Mesmo na senzala, parabéns a todos nós por perbemos a nossa felicidade por causa de maus brasileiros corruptos e safados que pensam que nunca teremos forças para reagir. Desde aqui ouçam o meu GRITO de indignação! A esperança nos permanece! Vamos em frente, Brasil!
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Estrambólicos Nomes Próprios
domingo, 28 de julho de 2019
Melhor Calar
Manda a prudencia que se evite qualquer contato com idiotas e imbecis - e ambos os tipos podem esta na mesma pessoa que são exatamente iguais. Mas se o contato for inevitável que seja então curto. Se o imbecil idiota insistir o melhor a fazer é calar e tentar segurar os batimentos cardíacos ao nível de não infartar.
Ocorre que tem os imbecis intelectualizados e esses nem sempre são idiotas. Eles se consideram os donos da verdade e gostam de fazer calar quem contra eles argumente. E assim sendo, a melhor coisa a fazer é ouvir e, quando possível falar, fazer a intervencao que seja cirúrgica, de emergência e rápida. E se tiver que inventar um motivo para ausentar-se, pois que assim seja. Invente que deixou a chaleira no fogo e que tem de sair correndo. Esse tipo de imbecil, de tao cheio com seu ego, pode até mesmo se oferecer para o chá. Nunca aceite a sugestão ante a certeza do desconforto. se tiver que ser sincero, pois que o seja. Diga mesmo que não seria boa companhia a sua já que pensa diferente e siga seu caminho.
Já em casa, tranque bem a porta, faca o sinal da cruz, acenda um incenso e uma vela e tome um banho de sal grosso.
terça-feira, 23 de julho de 2019
Um velho Castelo
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Abóbada Placenta
Esse azul que nos cobre
Manta placenta de céu em abóbada
Se não me és azul
De estrelas me cobres
E me levas a dimensões que vão para dentro de mim
e para além de ti
terça-feira, 18 de junho de 2019
A Tourada
domingo, 16 de junho de 2019
As Flores de Plástico
As flores de minha casa não cheiram.
Se cheirassem... meu Deus!
Mas, deixo a modéstia ao canto e...
mesmo sem cheiro
que bonitas que sois.
Intenção

- Eu nunca sei se foi você que escreveu ou se você copiou algum texto de algum livro
- Sou eu sim. Quando não sou eu costumo por as aspas. Fica poético o que escrevo? É a intenção. Além de embelezar, prende a atenção de quem ler. Eis a arte ou a intenção dela! Seu comentário me traz a certeza de que estou a atingir meu objetivo.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Vive Melhor
Vive melhor a vida quem vai mais longe todos os dias e na caminhada experimenta novos sabores e conhece as gentes.
Vive melhor a vida quem não fica a remoer as mágoas e dores do passado.
Vive melhor a vida quem com atenção escuta o farfalhar das folhas, o riacho a correr entre as pedras e os pássaros a cantar nas árvores.
Vive melhor a vida quem abre as janelas e recebe o ar fresco e puro e deixa exalar o bom cheiro de sua casa para o universo.
Aqui agora, um cheirinho de café quentinho e fresco.
Quem quer?
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Provai
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Não é Não... Ponto Final
domingo, 21 de abril de 2019
Originalidade
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Tesão
domingo, 7 de abril de 2019
Cegueira Feliz
A casinha era das mais humildes daquele beco pobre e estava recuada e protegida por uma cerca de madeiras irregulares. Era caprichosa a humilde anfitriã. O teto do casebre era baixo e tinha sido improvisado com velhas telhas de amianto e, nas paredes constavam alguns remendos de tábuas em compensado encardido. Mas estava limpinha e arrumada para receber visita.
Sentado em falso num tamborete de madeira fiquei a olhar porta á fora as flores aleatórias de onze-horas, de bem-me-queres e margaridas que nasciam sem vergonha no pequeno terreiro em frente. O chão estava ainda com as mascas da vassoura riscadas no chão. Estava a fazer muito calor e ela vestia um vestidinho estampado em flores minusculas e calçava só umas havaianas velhas e zeladas caprichosamente. O cheiro do café era de pó barato e foi servido em copo americano mesmo. E, de todo, não estava de sabor ruim. Ela não demonstrava qualquer acanhamento e parecia resignada e ereta como quem se recusava a ver a realidade. A velha máquina de costura servia para unir os milhares de pedaços de tecidos doados por alguma ONG e com os quais fazia tapetes coloridos com muito esmero e que fez questão de me presentear com um.
- E Moisés lá é nome de cachorro? - perguntei eu em tom de brincadeira.
Alem do cão fiel, diz ela, faz-lhe companhia os anjos que a protegem e, segundo ela, não são poucos. A casa continua limpa e além das flores agora tem a chão coberto de pedrinhas brancas lavadas que combinam com seu sorriso largo, de orelha a orelha. Continua pobrezinha e a receber minha ajuda aqui e ali. De nada reclama, sequer da cegueira. E desde aqui fico ouvi-la dizer: Oba! Amanhã vai ter carne!
Anjos e Demónios
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Retrato do Amor
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Santa de Mafra
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
O Essencial
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Lisboa
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Tosca e Rasa
domingo, 2 de setembro de 2018
A Cor Laranja
A minha casa tem luz amarelada e cheiro de café





































