Mostrando postagens com marcador vinagrete. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vinagrete. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de setembro de 2011

VINAGRETE SEM VINAGRE



- Quando vais me fazer uma das tuas personagens em um dos seus contos? - perguntou-me o amigo Beto, à minha frente, numa mesa de boteco da cidade.

Causou-me certa surpresa que meu amigo estivesse a esperar que eu o fizesse personagem em alguma das minhas estórias frugais.

- Talvez neste momento estejas virando uma... - respondi bem humorado - ...ou não! - conclui em tom debochado e aos risos.

A noite estava com um vento gelado e incômodo. O serviço do bar não era do melhores, mas, estava a contento. De repente, a farofa que acompanhava meu espeto de frango, veio para o meu colo num movimento em falso do meu garfo e tudo que era de farinha voou para fora do prato, por sobre a mesa e para  o chão... mais parecendo uma tempestade de areia no Saara. Sim, era um garfo mesmo. Farofa com garfo, creia-me!

Acompanhava o espetinho, uma vinagrete sem vinagre. Percebi a carência do ingrediente e perguntei pelo vinagre do vinagrete ao simpático garçon que, depois de algum tempo, retornou informando-nos que não havia "vinagre" no estabelecimento. Sim Senhor! Farofa com garfo e agora... vinagrete sem vinagre. Pedi limão e me veio um quarto dele. Tudo bem... estavam a economizar nos sabores azedos. Mas eu era que começava a azedar... e azedo fico ácido por demais.

Fui explicar ao meu amigo e ao garçom que "vinagrete" vem de "vinagre", portanto, aquilo não era "vinagrete". Meu papo era quase tão chato quanto o do casal da mesa ao lado. Dois professores de matemática engataram, em alto e bom som, um colóquio "cabeça" sobre álgebras, triângulos e hipotenusas. O professor, inflado como um pavão, tentava impressionar a professora com sua vasta experiência como mestre de matemática. O mais surpreendente é que parece que conseguia, pois, a professora parecia encantada com ele e suas divagações. Mal conseguíamos disfarçar a vontade de sairmos "voados" para mesa em canto oposto ao deles ou do próprio estabelecimento, de uma vez por todas.

Em seguida, uma garçonete nos trouxe novo espeto de frango sem que houvéssemos pedido. Houve duplicidade de pedidos. Entretanto, precavidos, o aceitamos sem qualquer objeção, haja vista, nossa fome e o serviço lento.

Bem... mas agora vou concluir a presente crônica porque tenho de ligar ao meu amigo para que ele a leia e constate que, finalmente, virou personagem e não mais vai poder me cobrar por tal negligência.

Wanderley Lucena