domingo, 6 de dezembro de 2015

Resto de mim

Este blog é apenas uma faceta de mim. Engana-se que pensa que sou isso 24h. Aqui sou apenas 10 minutos do meu dia. E é o que mais gosto de mim. Cuido-o e alimento com carinho e disciplina. É verdade que a minha disciplina já não mais é militaresca, mas, mesmo com erros de grafia, ortografia ou digitação, imponho a ele a mesma estética e equilíbrio que gostaria por toda a vida. O meu trabalho aqui é diverso do resto de horas que as ocupo com coisas chatas ou não. Minhas obrigações diárias são exercício que, nem sempre me oferecem o prazer que tenho quando estou diante do meu computador a escrever o que sinto e, bem sei, muitas vezes, sequer serão lidos por quem quer que seja. 

O que resta de mim, sabe-se lá, nem precisa ser conhecido de ninguém. E há uma parte de mim, como há em todos os indivíduos, que sequer quero mostrar. Talvez porque precise mesmo esconder a sete chaves ou por saber que nenhum prazer traria a mim ou a quem lhes viesse a conhecer. Assim sendo, essa parte de mim eu lido com ela quando apago a luz. Quando estou na minha cama e de olhos fechados abro o baú das desilusões, das tristezas. O meu relicário de angústias é vasto. Disponho cada relíquia como se fossem medalhas. Sim sou meio masoquista. Ou totalmente masoquista, não sei... Mas, é desse baú de horrores que me sai grande parte de minha inspiração. É das reflexões que dali retiro que procuro fazer o meu dia seguinte melhor.

Sou assim, alegre e triste, feio e bonito, bom e mal, certo e errado. Mas, por vezes, afeito-me com cuidado na tentativa de ser agradável. Necessito que me suportem quando com a luz acesa. Se não me afeito e não mantenho o meu monstro muito bem preso, ninguém me suporta. E assim vou indo por essa estrada que não sei aonde vai acabar. Mas que se me finalize como se fosse uma comédia. Receio e tenho medo que o "le gran finale" seja uma tragédia.

E o que resta de mim? 

Wanderley Lucena

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