sexta-feira, 8 de abril de 2016

Reencontro

Graças à tecnologia virtual das redes sociais, um amigo ao qual não via fazia mais de 30 anos, manteve contato. Ocorre que não era qualquer amigo, mas, um amigo por demais especial. Quando nos conhecemos no ano de 1984 quando éramos alunos em um curso de regime internato e durou sete meses. 

Foi com surpresa que recebi seu convite de "adicionar" em uma dessas redes sociais. Era o meu velho e bom amigo de outrora que mantinha aquele contato depois de tantos anos. E agora, morando na mesma cidade, marcamos um papo, um "matar a saudade" em um bar charmoso aqui pertinho.

Cheguei antes do horário e fiquei a esperar. Será ele teria dificuldades em me reconhecer depois de tantos anos? Ele chegou e abriu-se em afetuoso abraço. Não fora o cabelo platinado pelo tempo eu diria que ele nada mudara. Não haviam rugas em seu rosto moreno e a expressão era a mesma. Nem a barriga típica das pessoas de nossa idade. O mesmo sorriso, os mesmo gestos. Mas, como não poderia deixar de ser, havia a sobriedade que é a grande vantagem das pessoas amadurecidas. A fala era mansa e o tom ameno das pessoas educadas. E meu amigo sempre foi pessoa admirável nesse quesito. O papo durou cerca de três horas e elas se passaram como se três minutos. 

Ele me contou as suas estórias e eu as minhas. As lembranças que ele tinha de mim, de nós e dele, muitas delas se me haviam me apagado na memória. Mas, consegui reviver e até me lembrar de algumas delas. As lembranças todas eram como o cheiro da murta depois que a chuva cai na terra árida. Já sentiu o cheiro da murta? É frutinha verde, cítrica e sabor indescritível que dar lá pra o sertão, na beira dos caminhos da roça no Maranhão. O cheiro é tão bom que bem podia ser acondicionado em frasco de perfume francês. 

Nosso reencontro foi um reviver, um abrir de baú velho cheio de recordações. Encontrar um amigo ao qual você queria fora também teu irmão é como encontro cósmico ao qual não se pode mensurar. E tenho meu irmão de sangue a quem tanto gosto e quero bem. Mas, o meu amigo ali na minha frente era mais que amigo, era companheiro de estação planetária, estação chamada "terra". Um encontro de almas irmãs. Ficou combinado, de novo, a qualquer momento, nos encontraremos e continuar emos a conversa tão agradável e que não foi suficiente. "Gracias a la vida que me ha dado tanto!".

Wanderley Lucena

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