terça-feira, 20 de março de 2012

MINHA CARGA DE MANIAS

 
São tantas as manias que adquiri com o tempo. Mania de molhar os pés a todo instante; mania de ter o ventilador ligado em cima de mim por todo o dia e noite - aliás, se pudesse, baixaria a temperatura em cinco graus; mania de falar sozinho - e por vezes xingo e esbravejo, em alto e bom som; noutras faço uma oração; noutras pronuncio o nome de quem estou a pensar.

Mania de limpeza - não gosto de louça na pia, de ver pó no chão ou nos móveis; não suporto pentelhos espalhados no chão do meu banheiro; mania de tirar pelos das orelhas e do nariz também - e com idade eles, os pelos, só aumentam. Tenho mania de tomar café feito na hora - talvez porque o café engarrafado tem sabor velho ou por causa da minha gastrite; Mania de escrever - e postar neste blog. 

Muitos deveres me foram impostos pela vida. É claro que poderia simplesmente renegá-los, mas, se o fizesse, bem sei... minha vida seria menos saudável, menos organizada. Todos os dias sou obrigado a malhar - e isso significa pegar pesos e correr meia hora, botando os bofes pra fora, numa esteira mecânica que foi projetada pra me oferecer maior conforto e fazer da minha corrida mais macia e fácil, no entanto... Mas, as obrigações não são manias.

Sou obrigado a separar contas a pagar das que já foram pagas; recibos e notas; imposto de renda; manuais e apólices - haja pasta e gaveta pra guardar tanta coisa!  

Mas gosto cada vez mais das minhas manias. Estou cada vez mais tolerante comigo mesmo e com o próximo também. É verdade que a idade nos aguça a percepção, talvez pelas repetições de situações. De longe, sei se vale a pena ou não, perder meu tempo com determinado indivíduo. Adoro um bom colóquio. Gosto de conversar sem o ruído da discórdia agressiva. Gosto de discordância e acho que é ela quem nos acrescenta o que ainda não sabemos e pode nos fazer ver o assunto por outro ponto de vista. Acho difícil e irritante conversar com ignorantes, impacientes, pré-conceituosos e, ainda, quem pensa ser o dono da verdade e se põe a falar inflado, crendo está em posição superior. Se o colóquio não foi agradável... perdi meu tempo. Mas, se a conversa for em um bar charmoso - mais uma de minhas manias - com uma cerveja gelada, meu limite de tolerância pode, tranquilamente, pode ser expandido - ou não! 

Gosto das minhas manias e suporto minhas obrigações. Minhas manias me são leves, já as obrigações, embora, essenciais à sobrevivência, são um saco! É isso!

Wanderley Lucena

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