sábado, 24 de junho de 2017

O Breu e o LED

- Apague todas as luzes, menos aquele abajur acolá no canto. Fechei todas as cortinas e deixe apenas uma fresta para eu saber se é dia ou noite. Ligue a TV e nos faça um café cremoso com leite puro e com bastante nata.

Nunca a claridade me incomodou tanto. Talvez eu tenha algum grau de fotofobia, não sei. Talvez seja só a ponta do imenso iceberg de excentricidade, não sei. Tenho me percebido cada dia mais excêntrico. Talvez seja coisa da idade. Há grau de TOC em mim. Sim, o Transtorno Obsessivo Compulsivo. E até que gosto. É uma mania de ver as coisas devidamente organizadas, ao menos visualmente.

Mas, é a luz que tanto tem me incomodado nesses últimos tempos. As lâmpadas não são mais amareladas. É de uma claridade tão branca que explode na cara da gente com se fosse um incômodo flash de máquina fotográfica. Explode nas paredes e nas minhas pupilas. Sei que são as mais econômicas as tais lâmpadas de led, mas foi-se a poesia da palidez ambiental. A luz do poste é agora de led. E de novo é explosiva. Tragam as lâmpadas de mercúrio de volta! Que a imagem tremulada e amarelada que deixa claro que é noite e que por ser noite não se pode iluminar como se fosse dia. Até sob chuva a luz de led é agressiva.

- Então, apaga tudo. Eu conheço o ambiente e sei achar tudo tateando na escuridão.

Talvez seja o meu espírito - se pensarmos em termos espirituais. Talvez a luz me incomode tanto por causa do meu estágio atrasado. Ou seria porque no meu estágio já não precisa mais de tanta luz. Não sei. Vou buscar um guru indiano que me ajude.

- Até lá, apague a luz, por favor!

Wanderley Lucena


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