quarta-feira, 22 de março de 2017

A Vida como Fogueira!

A pensar sobre a vida e a grande incógnita que perpassa os séculos desde que o homem existe. Muitas são as teorias científico-religiosas. Algumas são até quase convincentes, mas sempre fica a dúvida. Pois bem, eu a pensar sobre essa questão desde que existo e depois de ter desistido das teorias religiosas -todas elas - me veio uma figura de uma fogueira.

Eu, sempre que vejo outra criatura igual à mim, vejo além da caixa viva de carne que transporta a energia à qual percebemos e desconhecemos. Chamam-na de alma, de espírito etc... a nomenclatura não importa. Importa que é essa energia que sente as dores e dissabores da vida e é nela que são marcadas as as experiências enquanto vivos. Não é possível afirmar, cabalmente, nada sobre esse assunto. Mas, trago-lhes o que imaginei sem querer lhes trazer nova teoria. Quem sou eu para tanto?

Pois bem! Imaginemos uma fogueira. Uma fogueira é acessa por algum motivo particular. O indivíduo pretende, quiçá, assar uma carne; iluminar o ambiente; sinalizar o caminho na escuridão... os motivos são variados e depende de cada dono de fogueira. Mas, a depender da finalidade desejada se escolherá a lenha. Se quiser uma grande fogueira junina que dure por horas, a lenha será de boa qualidade, as toras serão grossas e em grande quantidade, muito bem sobrepostas e obedecendo certa engenharia. Mas, se a intenção for apenas a de ferver a água do chá ou do café, alguns gravetos juntados de forma aleatória bastam. A chama da fogueira durará conforme a lenha que a alimenta, óbvio!

Agora vamos imaginar que uma mãe saudável e muito bem alimentada está a gerar em seu ventre uma vida. A criança nasce e permanece muito bem alimentada e tem à sua disposição todo o aparato necessário para o seu desenvolvimento físico e intelectual. Eis a lenha boa que que alimentará a chama do indivíduo em formação e que, não sendo um acidente, morrerá de velha e, provavelmente, feliz.

Imaginemos que uma mãe carente de alimentos e viciada em crack e a viver numa cracolândia e a gerar, semelhantemente, outra vida. Não se faz necessário de minha parte enunciar as desvantagens da vida que está sendo gerada e do ser que nascerá. Certo é que, neste caso, a fogueira é alimentada por gravetos e em ambiente úmido e desfavorável. Muito provavelmente, tal chama se apagará com brevidade.

A vida é acidente químico-biológico, necessário e misterioso, da natureza para que se perpetue a raça humana. A chama que se apaga com a morte tem o seu surgimento a partir da intenção de outrem. Ou seja, é a ação, intencional ou não,  dos pais que vai gerar a vida. A depender da lenha que os pais colocarem na fogueira ela atingirá o seu ápice e cumprirá a função à qual se espera. Mas, há a certeza de que ela se apagará. A chama diminuirá aos poucos e, depois de algum tempo, virará carvão e, posteriormente, cinzas. Enquanto carvão continuará ardente e com função importante. É no carvão em brasas que se assam os churrascos que todos adoram, por exemplo. A terceira idade e sua sabedoria! É ou não é?

O carvão se apagará por fim e vivará cinzas que se espalharão ao vento ou se misturará à mãe terra e irá servir de adubo para as frutíferas que alimentarão os viventes. Nas cinzas já não mais se percebe a energia do fogo, dá chama. Mas, está ali o esqueleto já sem carnes. À terra já serviu de alimento.

E assim, a vida se perpetuará. Da terra viemos e à ela voltaremos! Sabedoria tão antiga quanto as nossas vovozinhas! E o que importa não é a vida eterna do ser, mas, a existência eterna dá humanidade por meio dá procriação.

Wanderley Lucena

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