segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O "G" da Discórdia

Eu fico a me perguntar o que nos leva a condenar o que não conhecemos. A Maçonaria sequer é religião, mas, organização secreta – e qual o problema de ser secreta? – e sofre ataques oriundos, principalmente, de pastores evangélicos. Quero aqui deixar claro que não sou maçom e que a minha defesa não é para com a organização Maçonaria. Quero mesmo é discutir a insanidade que leva indivíduos que deveriam se ocupar de fazer o bem o evitar a segregação, haja vista, se dizerem os representantes do Cristo entre nós, a jogar pedras contra quem eles discordam ou sequer conhecem.

Um pastor de uma igreja da cidade do Gama, cidade satélite de Brasília, ocupou boa parte de seu dia a fazer longo texto, publicado em redes sócias logo em seguida e que tinha esse teor. Um desocupado, blogueiro, fotografou a tal igreja e, por causa de uma letra “G” grudada na logomarca, acusou-a de associação com a Maçonaria. O “G” para a maçonaria,p elo que sei, é mero símbolo que se percebe nas lojas maçônicas mundo à fora.  Seria uma besteira não fora o post do pastor. A acusação do blogueiro é boba, mas, o post do pastor não o é. Estava cheio justificativas e medos de que sua igreja pudesse ser confundida ou associada à maçonaria. Informava aos fiéis pagadores de pesados dízimos que a igreja era genuinamente cristã e que, jamais, estaria associada com outras crenças que não tivessem o Cristo como fundamento de sua fé. A Maçonaria não é crença, repito! Pelo pouco que sei, trata-se de um organização  secreta que visa princípios de liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual e a proteção mútua e privilegiada dos seus membros. Não seriam estes fundamentos tão cristãos quanto os de qualquer igreja cristã? A diferença é que eles não têm o dízimo por mandamento.

Devemos grande parte do que somos enquanto Estado e Democracia aos maçons. Os maçons estão presentes e por trás de todas as decisões mais importantes do Brasil e do mundo. Ao contrário de pastores e líderes evangélicos, não alardeiam suas ações com o intuito de fazer adeptos ou por causa de votos. O fazem por questões cívicas!

Confesso que me cansa todos os tipos de preconceitos – e, eu próprio, não estou livre deles, mas traço batalha hercúlea e diária contra eles. Preconceito é sinônimo de ignorância.  Portanto, não consigo compreender como alguém que fez curso superior de Teologia pode ser capaz de tão pouco alcance em sua visão intelectual-cristã. Preconceito é coisa para ignorantes e não para alguém que se sentou numa cadeira de uma academia e fez um curso superior, por mais, descrédito que o curso superior tenha.

A abordagem, nada cristã, estava carregada medos, iras infantis e bobas e, ainda, trazia uma ameaça: “as imagens de câmera da igreja captaram o blogueiro quando tirava as tais fotos do “G”. No texto se percebe, ainda, certo destempero e medo de que os fiéis pudessem abandonar a igreja e confundir a reputação do pastorao suspeitar ser ele Maçom. 

Eu vos informo e afirmo: mil vezes preferia eu ser um maçom a ser um pastor, mesmo que muito bem pago à custa dos dízimos depois de muita pregação e ameaça que leva os indivíduos ao fanatismo louco de quem pensa que Deus vai lhes mandar para o inferno por não pagarem o dízimo mesmo que em detrimento da alimentação e sustento de sua família. Quem precisa de dízimos é o pastor. Sem os dízimos ele perde o status, a troca de carro todo ano, o ganha-pão de sua família. Seria honesto não fora o discurso do ato pecaminoso ante o não pagamento do dízimo por parte do fiel.
Pior é perceber a empáfia de quem se sente superior. Deveria ser o oposto do que percebi naquela leitura cansativa. Jesus bem poderia ter sido um maçom, senão, poderia ter bebido e dançado com eles. Poderia ter participado como palestrante ilustre em qualquer loja maçônica em qualquer lugar do mundo. Acho que ele evitaria o mesmo caso fosse convidado para uma pregação na Igreja do Gama. Essa segregação de grupos humanos não combina em nada com os ensinamentos do Cristo. Ele dormiu uma noite na casa de Zaqueu, o cobrador de impostos. Tal figura, naquele tempo, era o mais indigno dos homens naquele contexto social. Teve por melhor amiga – ou amante, segundo algumas linhas de estudo e pesquisa cientifica – Maria Magdalena, a prostituta. Com ela andou para cima e para baixo e, orgulhosamente.

Portanto, tenho certeza que a defesa de tão proba igreja é a defesa do reino dos homens e não da verdadeira igreja de Cristo. Tenho certeza que, na tentativa zelosa de quem pretendeu a defesa da sua imaculada igreja, na verdade, a maculou e jogou na mesma cova das instituições humanas que só servem para disseminar preconceitos e segregação.

O respeito ao desconhecido é principio que nem precisa ser religioso, mas, da própria razão. Estejamos todos na paz do Grande Cosmos, com “G” de símbolo maçônico.

Wanderley Lucena



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