sexta-feira, 6 de maio de 2016

Escadas Rolantes

A larga e alta escada de granito estava ladeada por duas outras, só que rolantes. As rolantes, tanto a que descia quanto a que subia, estavam lotadas de gente de todas as idades. Solitário subia pela larga a escada de granito aquele senhorzinho fidalgo, magro e ligeiro. Chegou ao ápice antes daqueles que ficaram parados na rolante a subir confortavelmente enquanto liam seus celulares, fugidos à tudo ao derredor.

Nas escadas rolantes os semblantes eram preguiçosos e alguns indivíduos “cheinhos” ou gordos mórbidos. Havia qualquer coisa de mal humor em quase todos. Havia, ainda, qualquer desalinho de quem saiu de casa sem se dar ao trabalho de uma toalete bem elaborada e digna dos mais preciosistas. As roupas eram desalinhadas e até sujas. Ficavam ali paradas na escada que subia automaticamente e, algumas delas, de tão distraídas, tropeçavam ao fim dela.

O Senhorzinho subiu, rapidamente as dezenas de degraus e chegou ao topo antes de qualquer outro que estavam nas rolantes. Aquele sexagenário estava com toda a vitalidade da vida estampada em sua cara alegre e altiva. Os músculos lhe respondiam ao anseio da vida e dos que não se rendem às facilidades e confortos que em nada contribuem para a boa saúde, mas, servem para engordar os indivíduos e a trazer tantas doenças derivadas do ostracismo. Ele subiu mais um vão de escadas e desapareceu em meio à paisagem. Se foi e me deixou a cena bem vivida.

Eu que já era adepto de subir escadas por saber o bem que faz, desde essa cena, só piso numa escada rolante se com muita pressa e, mesmo assim, a escada rola enquanto eu a subo degrau por degrau e com as minhas próprias pernas. 

Na vida quem muito anda chega ao longe, diz o ditado. E eu que tanto quero fazer o "caminho" mesmo que o de Santiado de Compostela, já estou a treinar-me. E não se esqueça que, como diz a frase postada num dado momento desse camminho: "Camiñante, el camino de hace al andar".


Wanderley Lucena

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