sábado, 9 de abril de 2016

Sábado

É sábado em minha casa e em minh’alma. É folga para quem trabalha, mas é, também, véspera de domingo. É o último dia da semana e, geralmente, é de pura preguiça, de tomar cerveja com amigos, de caminhada no parque, de churrasco, de piscina. Sábado tem noite que pode ser curtida sem hora de voltar pra casa ante ao fato de que se pode dormir no domingo até a hora que se bem quiser já que é dia de folga.

A noite de sábado é de bebedeira, de sexo, de boate, de caça, de aventura. O sábado é intenso e para fora de si, enquanto que o domingo é dia de missa, de culto, de interiorizar-se. E eu até gosto de umas viagens para dentro de mim, mas, com todo o respeito aos religiosos domingueiros, prefiro fazer isso debaixo de uma árvore ou às margens de caudaloso riacho, ou a andar pelo parque, ou a ouvir uma música enquanto dirijo o meu carro.

Sábado é o dia de quem quiser, é o seu dia, é meu dia e pode até ser o dia do capeta. O sábado é meu, todinho meu, só meu. Eu quero morrer num sábado. Quero morrer depois de um êxtase, de um transe. Quero morrer nas vésperas de um domingo. Quero morrer depois de voltar de uma festa ou durante ela. Prefiro a primeira opção só pra não estragar a festa dos demais. Quero que a festa continue sem mim. Quero morrer depois de jogar-me em minha cama numa madrugada de estrelas e farto de alegria e que seja numa noite de sábado pra domingo. Quem quiser ir ao meu velório que o faça depois da festa e que vá com as olheiras da noite bem vivida e com o hálito do álcool e da esbórnia.

E olha que hoje eu já nem preciso mais tanto assim do sábado, pois, sou um desocupado e tenho o ócio por produção graças à aposentadoria merecida. Mas, no sábado todos vivem, mesmo que inconscientemente, a mesma intenção de propriedade desse dia e só querem se divertir.

Pode até ser o dia de fazer a faxina em casa, mas, ela será feita ao som do U2 e com o volume máximo a estourar as caixas de som e anunciar ao resto da vizinhança que sábado é o meu dia e que é de alegria intensa. A faxina será acompanhada de uma cerveja e a vassoura será a parceira numa dança pagã que antecede a muitos outros atos. Pode ser a visita de um amigo ou da namorada, mas, há a expectativa da noite que começará cedo e terminará com os raios do sol de domingo. Será festa e dança. Noites de encontros enamorados de apaixonados ou de encontros rápidos e furtivos de quem jamais se verá novamente. Encontros elaborados e programados ou intuitivos e repentinos em becos escuros e derivados da atração dos corpos. E a faxina será feliz ante a perspectiva de uma noite intensa de sábado.

Domingo é de descanso do que se fez no sábado. O domingo é o “dia do senhor”. Dia de ficar na desagradável expectativa da segunda-feira. E a segunda-feira é o pior dia da semana. De tão desagradável ele começa já no domingo. Se eu pudesse pararia o tempo ou pularia todas as segundas-feiras e iria direto para a terça-feira. 

Sábado é o dia melhor de todos. E o bom é que ele acontece a cada sete dias. Não é como o aniversário, o réveillon, o feriado prolongado... esses ocorrem uma vez no mês ou ano. Sábado tem 30 horas já que só acaba com o sol de domingo. O domingo fica para o senhor e todas as suas ladainhas, rituais e obrigações enfadonhas. Se o domingo é do senhor, o sábado é todo meu! O sábado é nosso! Vamos para a festa!

Wanderley Lucena

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