sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mergulho de Paz

Já é sabido que levo apenas duas malas com minhas roupas e alguns poucos pertences. E sabe? Acho que levo muito. Estou certo de que estou a tirar uma tonelada de meus ombros que nem são tão fortes assim. Há! Mas, levo um outro tipo de bagagem e, bem sei, isso é puro clichê - você deve estar a pensar. Eu lhe contesto ante o que sinto no meu âmago. Sim, sinto-me muito leve apesar de tantos problemas ainda a resolver. 

Certa vez, na praia, ante as ondas bravias que derrubavam os banhistas em cenas contrangedoras, megulhei e fiquei submerso enquanto ouvia as ondas a bater, quebrando sobre mim.Toda a bravura do mar agitado eu percebia abaixo, submerso sob as águas. Ali havia a calma e as ondas não me atingiam. Basta que se mergulhe e a onda passa por sobre você sem que lhe atinja.

É assim que percebo o meu momento. É assim que me percebo. As ondas já me derrubaram tantas vezes que agora descobri certa técnica e as espero passar por sobre mim enquanto estou submerso ante a certeza que pode ser chamada de fé, de que tudo E sei, passará. Tudo sempre passa. Sempre passa! E sei que logo o mar estará calmo navamente. E porei minha cabeça para fora e verei o sol a brilhar cálido e o céu azul acima e no horizonte a contrastar com uma bela paisagem.

Levo comigo a Clarice, a Lispector... e o Pessoa, o Fernando, que ganhei faz tempo. São ótimas e preciosíssimas companhias! 

A minha bagagem é outra! É outra a minha bagagem!

Wanderley Lucena

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