quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Despedida Iminente

Tudo vai bem! E continuo a me despedir deste lugar que tantas algurias me trouxe. Não posso culpar somente o lugar em si. Seria injustiça minha. Talvez a minha personalidade com tendências à melancolia ou o meu caráter forte que destoa da maioria dos conviventes locais. Não sei! Só sei que estou mesmo em momentos de fechamento de cortina. Vou tentar me limpar antes de chegar o dia da partida. Vou tentar sair o mais leve que eu possa. Levarei, com certeza, minhas duas malas e meu cachorro. Mas, não só. Levarei todas as marcas que este lugar me infligiu. Todas as vezes que me olhar ante o espelho verei a cicatriz na fronte e as rugas que consegui. Levarei poucas boas lembranças que, agora, não consigo lembrar-me. Mas, elas existem. Devo deixar algum amigo que, por agora, também, não se me ocorre. Que me venha o próximo carnavel e, em seguida, o aeroporto. Jamais voltarei a este lugar, a não ser que, a vida me obrigue a tal. E odeio obrigações, confesso. Se aqui vim para expiar pecados, creio, pagueios-os todos. Ao menos é o que sinto. E minha amargura não precisa de dó ou piedade de ninguém. Sou auto-sufuciente e dono de meu nariz. Estou aqui porque o quis. E, vou-me porque quero. Sou feliz! Mas, valeu! Sempre vale! 

Wanderley Lucena

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