sábado, 16 de maio de 2015

A DOR DA PERDA

A morte surpreendente e repentina, do um vizinho nesta tarde. Ver o corpo e consolar os parentes, inclusive, a viúva foi a primeira atitude de todos que souberam do infeliz fato.

A cena que, bem poderia ser encarada como falsa ou desnecessária é, na verdade, a oportunidade de reconciliação e entendimento. A dor da perda não é só de quem perdeu o ente querido, mas, também do vizinho até então desafeto. O vizinho sente e chora a mesma dor. É ante ao desespero dessa dor de perda que se dá a disponibilidade de corações, humanos e falhos, que se unem para se auto consolar.

Nesses momentos difíceis é que se percebe o quanto a vida é passageira e o quanto perdemos nosso tempo com coisas pequenas. Acho que não se pode ignorar a agressão dos que, quando em vida, insistem em se manifestar negativamente, e repetidas vezes, contra alguém. Entretanto, é com uma perda como essas que, os parentes e amigos refletem o quanto é importante ignorar determinados gestos e valorizar outros. 

O evento "morte" é só mais um  momento da própria vida. Dói como ante ao apego ao que se foi e ao fato de nunca mais se verá  o ente querido. É dor parecido com a da mãe ou pai que ver um filho ser encarcerado numa cela depois de ter cometido crime não esperado e saber que ele ali permanecerá por anos a fio e que, no caso brasileiro, sairá de lá pior que quando entrou. 

Por isso, o budismo prega o desapego. É ele, o apego, a causa do sofrimento que leva à depressão e muitas doenças. O apego é o mesmo do objeto. A madame que perdeu a sua joia e não consegue mais achá-la e que se atormentará por dias, meses e até anos, a lembrar do bem perdido quando, é tão somente um objeto que, mesmo caro, não vale um minuto de apego. E claro que um ente querido é mais valioso que qualquer joia. Mas, há que se ficar com as lembranças dos bons momentos vividos com ele e o contentamento da certeza de que se aproveitou ao máximo, enquanto em vida, da presença dele. 

Daí, a necessidade da vigilância em não perder tempo com o desnecessário. E sei que, como diz o adágio popular, "falar é fácil".

Wanderley Lucena


Nenhum comentário: