quinta-feira, 16 de abril de 2015

SOBRIEDADE

Ando mais devagar. Desacelerei! Estou menos apreensivo e a impulsão já se faz retardada. Há uma calmaria. Atitude contemplativa ante a natureza e, acima de tudo, agradecida por tudo, inclusive, pelo ar que ainda respiro. Todas as marcas que levo, eu sei, são doloridas, porém, escancaram-me minha própria história como um quadro na parede, pintado por um surrealista. Não me envergonho de nenhuma delas. Se são profundas e na alma ou mesmo aquela que veja ao olhar o espelho e que me tocou a própria carne... não importa. São, igualmente, ricas para mim.

Sobriedade é a estampa que me cobre ao menos por enquanto. Minhas malas levam menos bagagem, porém, sinto-me mais rico. Levo uma visão que vai mais além. O meu horizonte é mais distante. A paisagem tem menos componentes. Entenda-se, porém, que a paisagem não é, nem de longe, menos bonita. Insiro-me sozinho por pura vontade nessa pintura que eu mesmo crio. É bom está aqui. É bom saber que não mais estarei. É bom saber que continuarei minha jornada. Desta vez, em busca de tão pouco. A busca é apenas pela caminhada. Não busco nada além.

Wanderley Lucena

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