quarta-feira, 9 de abril de 2014

ALGO QUE O VALHA


A minha inquietude não é apenas de ir-me desde aqui. Ela é desejosa de desprendimento e desapego. Sei que me vou para não mais voltar. As sandálias baterei quando entrar no veículo que me levará. Levarei minhas rugas, minhas marcas valorosas. Não levo mágoa, não levo dor, não levo rancor. Levo a cara limpa e a certeza da lição aprendida.

Eu sinto mesmo ter nascido no ocidente e que minha covardia me impeça de transformar-me em um indu, num faqui, num budista ou algo que o valha. Mas, não quero mesmo exteriorizar a minha identidade espiritual. Não quero, sequer, ser apontado como "homem bom" ou "honesto". Quero apenas levar no meu âmago a certeza de que fiz o que me foi possível.

O "Caminho de Santiago de Compostela" é desejo que pretendo realizar tão logo a minha missão aqui seja concluída. Uma incursão para dentro de mim mesmo e que volte para o externo na forma mais óbvia de bondade e amor. Quero encontrar uma causa humanitária e me dedicar a ela.

Claro que tudo muda a todo instante e nada está decretado. Falo de vontades, de desejos. É desejo oposto, por exemplo, morar uma temporada em Madrid. Uma reflexão sobre os contrastes da educação e da moral em relação ao nosso país. Quero verificar "in locu" se é tudo a mesma coisa. Que a qualidade de vida e os valores estão tão perdidos quanto aqui.

A busca pela riqueza me trouxe mais instabilidade. Muitas foram as agressões vis oriundas de homens reles que jamais teria com eles qualquer contato. E não que me sinta superior a eles. Apenas me percebo diferente e sem qualquer afinidade com tais indivíduos. E os chamo de reles com conhecimento de causa e sem qualquer medo de está errado em meu juízo.

É isso! Que me venga un nuevo câmbio!

Wanderley Lucena



2 comentários:

Skyline Spirit disse...

pretty nice blog, following :)

Wanderley Lucena disse...

Obrigado! Desculpe, mas, só hoje vi o seu comentário elogioso. Ele me estimula a voltar a escrever um pouco mais.