domingo, 2 de março de 2014

ADIÓS MUCHACHOS!

Tenho uma certeza: a de que se sobreviver a isto, me irei daqui para lugar distante. Vou-me para nunca mais voltar.

Tratarei de colocar em baú, muito bem fechado, todas as lembranças destes três anos de aprendizado e expiação. Eu que pensava já ter passado pelo pior... hoje sinto-me inserido em sociedade atrasada em pelo menos trinta anos em relação à Capital Federal. Sinto-me como se voltado ao Maranhão, estado federativo do qual migrei ainda muito jovem.

A escassez não é só tecnológico-educacional. Ela perpassa os limites da razão vai a uma ignorância profunda e arraigada até naqueles que têm "nível superior". O indivíduo aqui tem o orgulho de ser ignorante. Bate no peito e diz: "sou macho e não levo desaforo para casa". O imbecil, muitas vezes, sangra ou é sangrado e deixa esposa viúva e folhos órfãos.

Questões banais de vizinhança se tornam pendengas que se transformam em "barracos" dignos de favela. Toda a rua se alvoroça ante um bate-boca que pode ser ouvido em todo o lugarejo. Ademais, são dados à fofoca. E a fofoca mentirosa, do tipo "cabeluda". Adoram sentar-se nas portas, nas calçadas, esparramados nas calçadas estreitas, sob sol sol que esturrica a moleira e calor escaldante. Prestam-se a olhar quem passa e a comentar da vida uns dos outros. É verdade que a "sessão da tarde", ao menos para mim, é lixo puro, mas, para esse povo que, em sua grande maioria, é incapaz de uma crítica racional, a televisão deveria ser uma boa alternativa para que o indivíduo se "vidrasse" ante a tela e deixasse a calçada e a vida do outro.

É verdade que todos padecem de mau gosto e que suas formas já prejudicadas pela genética de origem desconhecida, pioram ante a mal alimentação. Aqui se come margarina como se fosse geleia. Os embutidos - os mais baratos - são verdadeiras iguarias que eles adoram. A "mortandela",  "chalchicha" e os queijos amarelos e sem marca vendem como se água.

A alimentação errada transforma as criaturas já desprovidas de beleza em verdadeiras aberrações. As mulheres não são apenas gordas. Elas são gordas e buchudas - mas, muito buchudas mesmo! Mas, não só isso. Elas se vestem de roupas esfuziantes, coloridíssimas, apertadíssimas, curtíssimas - horríveis! Mas, não só isso - devido ao calor, creio - adoram mostrar os buchos. Os umbigos explodem como uma azeitona gigante que elas adoram enfeitar com piercing vagabundo de strass que balançam como os pendulas dos sinos das igrejas de Ouro Preto.

Os homens são um capítulo à parte. Cheios de si, geralmente, soberbos, mentirosos e gananciosos. Seus egos estão presos em corpos carregados por pernas "de frango". São pernas de formas arredondadas e sem músculos. Cochas cheias e flácidas que sustentam bundas grandes, enormes, que sempre associei à preguiça. Eles são indolentes, de raciocínio lento. Entretanto, se percebem uma maneira se "se darem bem", de preferência "passando a perna" em alguém, são ágeis, acelerados e espertos. E ninguém vai convencê-los da desonestidade. São dados às trapaças que não respeita sequer a família. Irmão trapaceia irmão e filho engana a própria mãe e a rouba fácil em qualquer questão.

As drogas talvez estejam acabando com o que resta desses mentes cauterizadas pela falta de valores éticos. Aqui não tem quem não use maconha - e nada tenho contra, diga-se. Acho mesmo que mal maior faz o cigarro que por sua nicotina e alcatrão superlota nossos hospitais com as criaturas cancerosas. Mas, aqui o buraco é mais embaixo. Todos usam, além da maconha, cocaína. LSD, êxtase e outra mais pesadas. Muitas são as criaturas reles escravizadas por seus vícios.

Não me adequei a esta realidade e não quero me adequar a ela. Vou embora porque o posso. Vou porque quero e porque mereço lugar melhor do que este paraíso de paisagem linda carcomido e cheio dessa gente que, de humilde, nada tem.

Em breve, muito em breve, se vivo, direi a esta terra um "Adiós muchachos!".

Wanderley Lucena

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