domingo, 25 de agosto de 2013

À SOBERBA O CIÁTICO



O ciático continua a me incomodar. Depois de vinte dias andando enviesado, ele insiste em não curar-se.  É bem verdade que não tenho nenhuma tendência à hipocondria e não tomei medicação que não fosse apenas para aliviar a dor. Não fui a médicos, nem tomei a santa voltaren. Mas, me sinto vivo. A dor que me serve de alerta e me informa o quão frágil somos, também, me conscientiza de que preciso crescer em espírito e que o crescimento material pode ser mais devagar. Tenho ganas e necessito correr contra o tempo. A certeza de que sou capaz de produzir cada dia mais e melhor traz ebulição interior que faz ficar meio louco a quem ver. Diz que sou elétrico, que sou hiper ativo e agoniado. Eu me sinto em paz comigo mesmo. Sinto a onda gigantesca que vem em minha direção e, com a experiência já aprendi que, basta mergulhar e não se sente qualquer impacto ou violência.

O medo de decepcionar quem espera o salário no final do mês, por vezes, me faz perder um pouco o sono. Mas, certa vez li que a cama não foi feita para pensar e sim para dormir. Quando me deito procuro não pensar em nada que não seja agradável e, depois de um dia estafante, não tem sono que não venha. 

Não sei porque estou aqui. Se estou para apender ou para ensinar ou se as duas coisas. O meu aprendizado neste lugar parece superior aos da faculdade. Acho que já ensinei alguma coisa também. Há quem goste muito de mim e há quem me odeie. Não me preocupo nem com um nem com o outro. Minha preocupação maior é comigo mesmo. Procuro está de ouvidos bem abertos para tudo, inclusive, para as mensagens da intuição. Mas, não quero passar por cima de ninguém, nem, jamais abrirei mão de meus valores éticos. Nada de considerar-me melhor que o outro. Vigio o tempo todo para que a soberba - pecado capital - não me apodere.

Wanderley Lucena


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