sexta-feira, 21 de junho de 2013

AUSÊNCIA ESTATAL


Claro que não é possível tolerar o vandalismo e a violência que se percebe ante os protestos que ocorrem por todo o país. É chocante ver as cenas de destruição que atrapalham a belíssima imagem da mobilização espontânea do povo nas ruas em protesto aos exageros da falta de administração governamental. Entretanto, fico me perguntado se não dói igual ver a infância roubada pelo craque porque o menino não foi à escola e preferiu perambular pelas ruas, haja vista, a escola sucateada, sem graça e cor, que o governo disponibiliza através da rede pública de ensino. 

É terrível tolerar a pesada carga tributária deste país e que vai parar nos bolsos dessa corja de gravata instituída e legalizada pelo salvo-conduto do voto da legião analfabeta. É agressivo perceber tais ladrões de casaca se protegem atrás do grosso escudo das alianças políticas que perpassam todos os poderes instituídos. 

É uma covardia perceber o salário já sofrível do professor ser rebaixado ainda mais enquanto deputados aumentam os seus ao momento que o desejem e a seu bel-prazer. É dolorido perceber que nas filas intermináveis dos hospitais públicos o cidadão passa dias na fila e que muitos morrem enquanto esperam e que mães parem seus filhos nas calçadas de maternidades-pulgueiros por falta de vaga.

Saber que cargos públicos são usados como palanques para incitar o ódio e para a pregação pragmática e preconceituosa contra as minorias discriminadas ao longo do tempos.  Que o povo passa fome e que anda mal-trapilho e moribundo, vagando qual zumbi, verdadeiras carcaças sem conteúdo de qualquer aprendizado educacional. Que ONG's são verdeiros vampiros que sugam o dinheiro público em prol de seus presidentes.

A percepção de que os estados da Federação têm seus donos e que eles usam e abusam dos mesmos como se fossem seus feudos e os habitantes eleitores analfabetos políticos são suas propriedades, assim como se fossem meras cabeças de gado de suas fazendas me é tão agressivo e repugnante quanto o vandalismo ora visto,. O feudo é passado de pai para filho como se herança patrimonial. Alguns, além de passarem a herança aos descendentes, ainda, se apossam de outros estados. É o caso do Maranhão e a família Sarney. Neste momento Roseana manda e desmanda no seu curral enquanto o Sarney passou a mandar no Acre. Foi por aquele estado que foi eleito o Senador.  

Sim, é mesmo muito agressivo perceber que os vândalos estragam o movimento. Sim, é mesmo muito vergonhoso perceber que tais vândalos são, na verdade, vítimas da ausência estatal que deixa de formar cidadãos conscientes e educados e os transforma em criminosos que foram obrigados a viver à margem da sociedade, nos morros e favelas, onde se brutalizam e se cauterizam de sentimentos éticos básicos.

Só há um culpado por toda a violência: o Estado ou a ausência deste.

Wanderley Lucena

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