segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CHUVA, LENÇÓIS E MARASMO.


O marasmo, o ócio, a inércia. Dia de chuva, de frio, de ficar debaixo dos lençóis, coberto dos pés à cabeça. Sem atender interfone, campaínha, telefone. Por mim não levantaria da cama hoje. Ficaria sentindo o cheiro do confort do edredom e o carinho do algodão em minha pele. Mas... meu café. Preciso de café. Tenho de levantar ou o vício vai me fazer mal humorado. Enquanto preparo o café ligo a tv. Tv a cabo. Centenas de canais e todos parecem repetir as mesmas programações. Nos jornais... notícias repetidas sem cessar.

Mas... mortes... muitas mortes. Quanta morte! Quanta perda! Isso é pura coincidência, um acaso. Mas chama a atenção. Jãozinho Trinta, Sérgio Brito, Cesária Évora. Mas a última, confesso, é para se comemorar. O mundo ficou melhor com a morte de Kim Jong Il, o pigmeu que era dono da Coréia do Norte. É bem verdade que no lugar dele pode surgir alguém ainda pior.  E na arte da maldade o ser humano é sempre capaz de superar-se. 

Mas... e a Cesária? Quem a substituirá? E o Sérgio Brito e sua maestria com a cultura? O Joãozinho Trinta, meu conterrâneo, e sua criatividade para fazer coisas grandiosas? Para esses não haverão substitutos. Uma ironia da vida. Os bons são insubstituíveis, já os maus...

Fica ao menos o legado dessas pessoas. Eu sempre ouvirei a Cesária na minha casa. A obra deixada pelo Sérgio será sempre lida e muitos se mirarão nele para tentarem criar um teatro cada vez mais significativo e criativo. O legado do Joãozinho vai ficar nas imagens e no ensinamento por ele passado aos seus muitos discípulos.

Que o natal e o ano novo cheguem com notícias melhores. E o ócio, a preguiça, o marasmo, a melancolia... hahhh!!! Servem pra escrever bobagens como esta.

Wanderley Lucena

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