sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CHIQUEIRO BRASIL

A sujeira é tanta que me sinto num chiqueiro continental. Ouço e vejo sujeira o tempo todo nos noticiários. A política é para homens bossais. Acho mesmo que os homens de bem, aqueles que têm vergonha na cara, não sobem em palanques, nem se filiam a partidos políticos. Eles, por nojo, preferem ficar conforto de seus lares.

A política é para homens reles e os honestos que se embrenharem pelo seu caminho serão mal sucedidos. É regra: quanto menos caráter, mais bem sucedido será o indivíduo político.

Apesar de ter colocado barricadas e sacos de contenção para impedir que o lamaçal adentre ao meu lar, ao meu espaço, percebo, revoltado, que há infiltrações. O cheiro da corrupção passiva e ativa entra pelas frestas e vejo-me impotente ante tal força. 

ONGs, igrejas evangélicas e católicas, centros espíritas,   todo tipo de associação vira pretexto para estender a mão à luz do dia e pedir polpudas quantias ao Estado. Mas, na calada da noite, é que se vampirizam as veias grossas e passivas do dinheiro publico. 

Pessoas conhecidas, amigos e até parentes estão encharcados na lama da corrupção. Alguns deles viraram pastores, catimbozeiros, políticos, donos de ONGs, etc... Poucos são os que suam verdadeiramente para se sustentar. Todos tentam, a qualquer custo, sem esforço braçal, uma teta para mamar. Pode ser um grupo de liderados, ou a falcatrua de uma licitação, ou um discurso falso e hipócrita que arregimente um grupo ou uma multidão suficiente para dar-lhe o sustento por meio de dízimos ou doações.

Homens de bem não se expõem, não se posicionam contra a injustiça. São, geralmente, discretos e equilibrados. Permanecem protegidos pelas grades de suas janelas vendo do lado de fora o assalto à mão armada contra seu semelhante. Os homens de bem podem até sofrer, podem até ter um discurso ético, mas se protegem de qualquer situação na qual possam ser expostos. Doe-lhes na alma a injustiça mas, eticamente, permanecem impávidos a assistir a sangramento público. Esses mesmos homens de bem não toleram discursos inflamados ou o ruído dos revoltados que gritam e denunciam os ladrões que se apoderaram do Estado..

Conheci um advogado muito importante, homem de valor, religioso como ninguém, que batia no peito, orgulhosamente, para informar a quem quisesse ouvir que não se contaminava lendo noticias de jornal. Preferia frugalidades, noticias leves, eventos sociais. Fiquei envergonhado e enojado do seu orgulho burro tanto quanto com a sujeira política a que estamos submersos.

A inércia ante a injustiça de qualquer tipo, assim como, a própria injustiça é, a meu ver, postura exatamente igual. É tão nojento e desprezível o acovardar-se diante do crime quanto ser o próprio criminoso. 

Wanderley Lucena


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