sábado, 15 de outubro de 2011

PORTUGUÊS BEM DITO

Interessa-me a palavra bem dita. Expressada com todas as sílabas muito bem pronunciadas e que se transformam na expressão audível. Com o verbo no tempo correto, concordando do início ao final. Seja na frase ou no texto por completo. A frase bem entonada quando pergunta, quando responde, quando exclama. Não importa se escrita ou falada, a palavra bem colocada traduz na exata dimensão de sentimento de quem a produz. 

É a língua uma das principais características de um povo. É ela que nos identifica em qualquer lugar do mundo. Quando estive na França, por diversas vezes identifiquei meus patrícios por ouvi-los a falar o bom, velho e lindíssimo português brasileiro. Com alguns deles travei diálogos e com outros fiz amizade. Assim será toda vez que estiver em país de língua diferente da minha. E você pode imaginar como é bom identificar a sonoridade da mesma língua que a sua na Babilônia que é Paris. 

Outro dia encontrei no Rio, uma colombiana que morava em Chicago. Depois de travarmos breve diálogo na sua língua ela me pediu a gentileza de falarmos em português, mesmo que ela não soubesse falar português. Explicou-me que ali estava para aprender a nossa língua por achá-la a mais bela do mundo e, disse ela, ter morado em diversos lugares do planeta. Fez questão de esclarecer que era o português do Brasil e não o de Portugal que lhe soava no ouvido como melodia sensual. Perdi a chance de praticar meu espanhol, entretanto, meu ego se massageou ao ouvir o elogio.

O português é mesmo língua traiçoeira e de difícil aprendizado. Mas renegá-la é abrir mão da identidade própria que é a identidade de um povo. Povo lindo, moreno, miscigenado, faceiro e acolhedor. Que não nos falte o orgulho de nossa língua e o interesse em aprendê-la.

Queria eu escrever sem erros e com a certeza das palavras bem ditas. Queria eu dizer apenas palavras benditas. Mas sei que sou capaz das palavras malditas e, muitas vezes, mal ditas. Tenho consciência da minha deficiência no aprendizado com a língua máter e da minha humanidade. Mas continuarei minha luta em tentar me expressar cada dia forma mais clara possível e em tentar ser um indivíduo mais evoluido. 

Wanderley Lucena

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