sexta-feira, 9 de setembro de 2011

DESEJOS DE CRIAÇÃO


Esse negócio de escrever parece que vicia. Tem horas tenho desejos de escrever. Desejos de criar uma banalidade, uma trivialidade, talvez, uma densidade. Só pra escrever mesmo. Escrever por escrever. Manifestar-se vivo. Como quem ataca a geladeira mesmo sem está com fome.

Por vezes fico pensando mil coisas, mas nenhuma delas me serve de inspiração. É como olhar para dentro da geladeira lotada e nada querer comer porque  nada abre o apetite. É chato quando não vem a inspiração. É como um empanzinamento, uma má digestão, uma azia, uma queimação estomacal.

Por vezes, quando menos espero, vêm frases, estórias completas, idéias mil. Um redemoinho invertido que desce desde os céus e despeja sobre minha cabeça, borbotões de inspiração. Tudo na mesma hora, ao mesmo tempo. Por vezes, corro para o computador e dano a digitar sem parar. Depois é fazer as correções e postar. 

Tem horas que não adianta... mesmo que a inspiração seja ótima, a preguiça é maior. Fico tentando gravar na minha mente tudo o que se me passa. No outro dia, quando tento lembrar, muitas delas já se  me foram e, por mais que eu force, nada do que se me ocorreu ontem, se me vem hoje.

O que acabo de escrever é, por exemplo, um desses momentos de improdutividade, de inércia criativa. E não é que acabei produzindo!

Agora... deixa eu ir ali na cozinha ver o que tem na geladeira!

Wanderley Lucena

Um comentário:

o mar e a brisa do prazer de aprender disse...

escrever é um ato solitário.É na nossa ansiedade que procuramos o alimento para o corpo e na escrita o alimento é espiritual e... a cabeça borbulha de ideias e muitas vezes vazia como um deserto. Belo post.