sábado, 27 de agosto de 2011

A LEI DO RETORNO - (Uma crônica pesada para... descontrair).


"Eu lhe desejo a Lei do Retorno" - Ouvi o velho clichê e fiquei pensando na tal Lei Espiritual que prega: "o que você fizer ou desejar, voltará para você". O moço não me desejava que a tal lei se me retornasse por causa das tantas coisas boas que produzi e sim, pelas coisas erradas. E todos erramos... e todos acertamos.

Oras! O moço ao me desejar a lei do retorno, conforme se via em seu olhar amargo e ressentido, queria me ver como motivo de escárnio, leproso, quiçá... morto, num futuro muito próximo. Com certeza ele iria sentir-se vingado e, porque não, feliz e agradecido ante a natureza e sua justiça implacável e infalível. Ocorre que o moço, em sua amargura e rancor, ao intentar-me tanto mal com a lei do retorno, esqueceu-se que o seu desejo para comigo pode voltar-se contra ele também, segundo a mesma Lei. 

Eu fico com o ensinamento simples e nada novo do Profeta Gentileza: "Sorria para o mundo e ele sorrirá para você"; "Gentileza gera gentileza" e etc... e tal. Mas, não tenho nenhuma vocação para a santidade. Nunca fui santo. Sou mesmo um pecador assumido e "carente da graça de Deus". Que ele tenha misericórdia de mim e do moço rancoroso e de seus desejos tão turvos. 

Não sei se a Lei do Retorno existe, mas precavido... desejo ao moço tudo de bom. Saúde e paz! O resto a gente corre atrás. Mas um banho de sal grosso tomei logo que cheguei em casa. É que "prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém", não é mesmo?

Wanderley Lucena

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CRIANCINHAS NADA INOCENTES


Eu vi as imagens nos jornais televisivos das crianças, menores de 11 anos, a depredar os órgãos públicos e fiquei indignado. Viciados em crack eles invadiram um hotel na "cara dura". Ao serem flagrados, reagiram destruindo tudo o que podiam alcançar. Os policiais os levaram para a Delegacia e depois para o Conselho tutelar. Depredaram as instalações enquanto eram observados pelas autoridades impedidas de agirem ante a lei vigente que protege tais criancinhas inocentes.

Mas em seguida fiquei pensando no que aconteceu para que tais criancinhas, nada inocentes, tão precocemente, tivessem perdido a sua infância e no fato de preferirem o crack, a violência das ruas, os bueiros de esgoto, etc... aos seus lares, às suas famílias. O que poderia estar por trás de tanta agressividade?

Gritou na minha cabeça, de imediato: O ESTADO! Sim, a ausência do estado no social. Aquelas crianças jamais tiveram família. É na família onde aprendemos os primeiros valores. É no exemplo e dedicação de nossos pais que miramos o futuro e desejamos ser adultos como eles. É com o amor que aprendemos a amar.

Minha revolta se deslocou para essa imensa estrutura invisível chamada "ESTADO". Pois esse imenso elefante também virou prisioneiro. Ele está acorrentado por uma das pernas. Quem o acorrentou quer apenas aproveitar-se de toda a energia que ele dispõe. O ESTADO não consegue dar um único passo em direção a quem dele precisa.

O ESTADO serve aos políticos. O estado é possessão dessa corja. O Maranhão virou um feudo que passou de pai pra filho. O velho senhor feudal apropriou-se do Acre. Roraima tem um bigodudo por proprietário. Enfim... não citar aqui todos os estado da federação. Mas certo é que todos eles tem o seu dono.

Quem pode mudar essa realidade continua a dormir indolentemente. O povo assiste a tudo. Ver a miséria e os impostos arrecadados desviados em bicas gigantes para os bolsos desses indivíduos. Quando acordarmos e nos levantarmos contra a tirania, tomara, o Estado volte a ser aquele idealizado pelos gregos.

O Estado se interessará por manter o cidadão com dignidade a ele inerente. Família, educação, segurança e saúde não estarão em último plano. As nossas crianças não largarão seus confortáveis edredons para morarem em bueiros nem serão os animais irracionais que vimos na reportagem.

Então... agora sei quem roubou a inocência da criancinhas e quem aprisionou o Estado. Mas outra pergunta me martela a cachola: quem é o culpado por tudo isso? Já sei a resposta: eu e você... que pagamos impostos e, no entanto, permanecemos inertes ante tais descalabros e injustiças e nada fazemos. Eu e você... que elegemos o bando que se estabeleceu no Congresso Nacional, em todos os poderes, e fizeram refém, o ESTADO.




domingo, 21 de agosto de 2011

OTIMISMO A TODA PROVA




"Como não vou ser otimista?
Tenho meu bote e o mar".





RIVOTRIL



"Silencie a sua mente e conseguirá aquietar o seu coração", diz o provérbio
Silenciar a minha mente...
Puxa vida!!! Fiquei a pensar em como fazê-lo.
Achei a resposta:
Dez gotinhas de RIVOTRIL bastam.

Wanderley Lucena

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MENTE QUIETA



"Tudo é uma questão de manter a espinha ereta, 
a mente quieta 
e um coração tranquilo".

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ORA BOLAS!



Ora bolas! Não me venha com chorumelas. O momento é denso, é crítico. Contas a pagar, menino pra criar, patrão pra cobrar horário, mulher pra me aporrinhar. Mas, eu aguentaria isso tudo com bom humor não fosse a Dilma a pedir para conter os gastos, haja vista, a crise mundial. Não seria o pagamento das eleições? Que tal não pagar os patrocinadores de campanha? Que tal colocar ministros e suas quadrilhas na cadeia e reaver todo o patrimônio por eles desviado? Por favor, D. Dilma, deixe meu bolso em paz. Eu pago minhas contas e não gostaria de pagar as suas e, ainda, as do barbudo, sem falar nos tonéis de pinga que ele toma. Mas se tenho que pagá-las, honre o meu suado imposto e me deixe gastar tanto quanto o meu dinheiro me permita. Eu administro minhas crises, minhas contas e tudo o mais. Por favor, invente outra boa desculpa, uma que me convença de que sou mesmo o culpado da crise mundial a que estamos submetidos. Administre sua crise. Eu estou a administrar as minhas. Obrigado!

Wanderley Lucena

domingo, 14 de agosto de 2011

RETICÊNCIAS



Mas pra quê tantas reticências?
Pra quê tantos pontinhos?
...três pontinhos no início
Três pontinhos no final...
Oche! Os pontinhos mostram um caminho?
Formigas passando ao chão?
Grãos de açúcar sobre a mesa?
Caca de rato?
Se não são as reticências...
É a interrogação?
Outro ponto que insiste na redação
Essa curva tão acentuada que parece cabo de guarda chuva
Cachos de cabelo caídos no piso do salão?
A bengala do vovô?
A pergunta que não quer calar?
Que muitas vezes fica sem resposta, e...
Taí  de novo a reticência
Então... que venha outro ponto
Que grite...
Sou reticente!
Mas dessa vez com exclamação.

Wanderley Lucena

PÁGINA VIRADA


Leste o livro que te emprestei
...e quantas páginas viradas...
não me leste.
Interpretaste tão bem
...e quanta eloquência...
não me compreendeste.
Fico cá a imaginar
...de mim que pensas...
não te importo.
Quero meu livro de volta
...se quiseres vir junto...
não sei se te quererei.
O livro que te emprestei
...se o me trouxeres...
com certeza o receberei.

Wanderley Lucena




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

PÉ NA JACA


O mundo está em crise. As bolsas financeiras desabam. A presidente pede prudência no consumo. Descobriu-se que o ouro era de tolo. Para que o sistema bancário não venha à falência, os governos injetam bilhões de dólares. As guerras levam outra grande quantia. As eleições são, da mesma forma, bilionárias. A corrupção generalizada é bolso roto por onde escoam metade ou mais do recolhido. Eles nunca sabem de nada e nunca são punidos. E quem tem de pagar a conta sou eu? Francamente! Tudo desabando e eu aqui pensando: querem me culpar pela queda. No fim, sei que vou terminar por pagar a conta deles. Não podem dar aumento de salário, a saúde uma calamidade, a educação... nem falo, e o resto todo do mesmo jeito. Cadê os estudantes? Vamos para a rua fazer a revolução. Na verdade... que vontade de enfiar o pé na jaca e mandar a conta para a presidente pagar. Há! Mas ela não paga as minhas contas. Porque mesmo que eu pago as dela? E ainda pago as do Sarney, do Jucá e todo o resto da cambada. 
Poxa! Que sacanagem! Só eu que pago o pato! Cansei dessa brincadeira!

Wanderley Lucena

HOMEM SÁBIO







"Um homem sábio pode considerar a vida uma comédia, uma tragédia ou uma farsa e, ainda assim, gozá-la".


Harry Emerson Fosdick



terça-feira, 9 de agosto de 2011

SEXO! (uma crônica para maiores de idade)



'Sexo: é quando você ama tanto alguém que quer morar dentro dele'.

Li essa definição para o sexo e fiquei refletindo no quão feminino me soou. Tal definição foi escrita, criada, por uma mulher, óbvio. Apesar de reconhecê-la linda, sei que o homem, o ser masculino, quer fazer sexo com todas e, se possível, com todas ao mesmo tempo. Homem não pensa em amor quando faz sexo. É que "homens são de marte e mulheres são de vênus", deve ser isso.

Homem que faz sexo com uma única mulher por toda a vida, se existe este homem, ele deve ser estudado e colocado em algum museu. Seria a raridade das raridades. Mas este homem não existe e se existe deve morrer de vergonha de declarar sua sorte aos demais. Seria motivo de escárnio dos demais.

É verdade que, em contraste, a modernidade apresenta essa nova mulher, dona de seu próprio corpo e pagadora de suas contas. Ela dá pra quem quiser. Se não dá é porque é covarde mesmo, porque não o quer ou por alguma frigidez. Ou porque é alguma feia, o tipo bruxa, a quem ninguém quer. Mas conheço feias que dão muito. Conheço feias lindas. Conheço lindas horrorosas. Mas as lindas horrorosas só não dão se não quiserem. Elas dão sem muito refletir. Elas podem até descobrir que foram usadas e não amadas, mas concluem que também agiram da mesma forma. Elas por elas. E se dão por satisfeitas.

Mas é claro que um certo recato cai bem na mulher. Acho até que lhe é próprio por natureza. Já o homem... esse age como reprodutor. Basta sentir o cheiro da fêmea. Basta ver as formas arredondadas da cintura. Não precisa nem sentir o cheiro não. Parte para o abate... por mais vulgar que minha redação possa parecer.

E não estou a fazer nenhuma defesa da promiscuidade. Acho mesmo que há momentos em que parece que achamos a pessoa que nos preencherá para o resto da vida. Ledo engano. Logo descobrimos que não existem príncipes encantados mas, sim, sapos cururus, tampouco, princesas puras e castas enclausuradas em torres. Elas viram megeras logo depois de trocar as alianças.

Todos têm o direito de ir-se, independente do sexo, independente de sexo.  "As coisas que amo, deixo-as livres". O amor que possui e aprisiona não é verdadeiro. O amor não depende, nem co-depende. 

O amor não é eterno. É sentimento humano que pode ser tão fugaz quanto a estrela cadente no céu. E ele não deixa de ser verdadeiro por isso. Se alguém disser: eu te amo - pode ser a mais pura verdade. Verdade que vale apenas para o momento em que é dita. Amanhã é outro dia. Não sabemos as suas dores nem dissabores. Que vivamos o agora!

E amor não é sexo. O sexo não tem que ser com amor. Sexo é selvagem. Sexo é necessidade fisiológica. Ao menos para os homens. É também vaidade. Sim, homem gosta de se sentir o dono de harém. Homem é animal quase irracional. Não consegue, muitas vezes, dominar seus instintos. N'outras vezes é por puro egoísmo mesmo. Não pensa na família que tem e no sofrimento que sua atitude poderá causar aos seus entes queridos. 

Respeito é amor. Amar é respeitar. É querer possuir, porém, dominar seus instintos em seguida. É saber que pode, mas não deve e... controlar-se. Fazer isso por respeito a si próprio e depois, por respeito ao outro, aos outros. Por não querer tornar-se bestial. É voltar para casa e saber-se merecedor do abraço do filho e do beijo daquela que o espera com a comida quentinha e, depois, ainda lhe oferece o... SEXO!

Wanderley Lucena

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DUERME NEGRITO




Duerme, 
duerme negrito...
Que tu mama está en el campo,
 negrito.

Mercedes Sosa





LUNA GITANA



Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.

Federico Garcia Lorca




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CASA TERRA

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Nesta seca desértica, tudo o que mais queria era ouvir o estrondar assustador de um trovão. Na verdade... queria mesmo era uma imensa trovoada. Daquelas acompanhadas de ventos ameaçadores. Queria eu ver o céu escuro feito breu ao meio dia. Que o sol se acovardasse e se escondesse. Que pingos gigantes começassem a cair sobre os tetos, sobre a terra poeirenta e o cheiro de terra molhada se me chegassem às narinas como perfume de fina essência. Que as águas escorressem para as calhas e grotas e adentrassem às entranhas da terra. Que voltassem essas mesmas águas, agora puras e cristalinas, a surgir nas nascentes dos rios. Que os rios corressem cálidos e complacentes rumo ao mar. Que o equilíbrio fosse perpétuo e não fôssemos nós, os seres humanos, criaturas desestabilizadoras da ordem natural das coisas. 

Que tais águas dessem vida e matassem a sede de todos os viventes. Que fôssemos gratos e reverentes ante tal manifestação da natureza. Que a respeitássemos e a quiséssemos manter limpa e cristalina. Que soubéssemos que nossa casa não termina quando fechamos a porta. Que não jogássemos lixo nas ruas como não jogamos na sala da nossa casa. Que entendêssemos que nossa casa, afinal, chama-se TERRA. Que soubéssemos respeitar ao planeta como presente maior, de Deus, do cosmos ou mesmo do acaso. Que a nave terra não fosse por nós implodida. Estamos destruindo a este planeta como os vírus destroem nosso corpo. Somos a causa da doença neste corpo chamado terra. Estamos matando a quem nos alimenta. Sugamos tudo até a última gota. Uma pena mesmo!


A poeira cobre a cidade com um marrom pavoroso e a seca retira toda a umidade existente. Meu nariz arde quando respiro e os meus lábios, de tão ressecados, racham e me fazem sangrar. O ar que respiro me adentra aos pulmões como se fumaça de vulcão a queimar-me as vias. Minha pele se esbranquece em efeito craquelê. De tão ressecada pode ser riscada como se fora um quadro negro. 


Besunto-me com toneladas de cremes. Creme para o rosto, para as mãos, para o corpo. Não funciona direito. Minhas cutículas estão esfoladas e meus pés parecem maxixe.


Tomo, no mínimo, dois litros de água por dia no intuito de me hidratar. Evito determinadas comidas. Evito atividades físicas no horário em que o sol está mais quente. Sigo à risca todas as recomendações da saúde pública.


Utilizo-me de toda a parafernália existente. Dois aparelhos, um que umidifica e outro que climatiza, estão a aspergir vapor de água no meu quarto. Mesmo assim é difícil. O que deveria ser solução, traz diversas outras consequências, várias delas, danosas à minha saúde. Os tais umidificadores são verdadeiros viveiros de colônias de fungos e bactérias que, se instalados no pulmão do pobre vivente... bau-bau. Eu me assustei quando fui fazer uma faxina nos tais aparelhos. Bolor e fungos que podiam encher um prato fund!. Taquei água sanitária na colônias e me senti um exterminador.


Na poeira acumulada no ambiente, embora todos os cuidados necessários para extirpá-la, habitam ácaros. Indivíduos horrorosos que olhados por meio de lente de aumento, parecem em muito com os monstros marcianos de um filme trash qualquer. Se não controlados podem provocar diversas doenças.


E tudo causa da escassez das chuvas. Que venham as chuvas! Melhor: vamos embora daqui? Para onde? Para outro planeta? - Sim. E faremos tudo diferente? - Me engana que eu gosto!


Wanderley Lucena