sexta-feira, 10 de junho de 2011

DESAPEGO


Para mim, uma das piores sensações é a de que perdi meu tempo. A sensação de que dei atenção a algum medíocre. A decepção de perceber que aquela criatura não era quem eu pensava ser. E isso acontece com certa freqüência em minha vida, tenho certeza que na sua também.

Imagine você viajar com seu amigo e depois de uma semana, descobrir que a amizade desandou. Aquele indivíduo não é seu amigo. E você está apenas no meio da viagem. Quem de nós nunca passou por tal experiência? Mas o bom é ter a certeza de a cortina caiu.

Tento me livrar de pré-conceitos o tempo todo. Não elimino ninguém por causa de aparência ou aqueles que não se enquadram exatamente dentro do bom-senso, da plástica moderna ditada pela mídia ou qualquer outra forma.

Confesso que gosto de loucos, de decadentes, de darks. Mas gosto dos singelos, da leveza e da beleza. Mas odeio, odeio a mediocridade.  Odeio aproveitadores. Personalidades vazias e outros. E como é bom assumir o ódio, o desprezo... confesso, por esses indivíduos. E ainda, tem o pior tipo, o psicopata. O tipo descrito nos livros de psicologia. E olhe! Já fui vítima deles.

Eu pratico o desapego, princípio budista. Se perdi meu tempo, desapego. Simples assim.

Quanta contradição. Não é verdade? Acho que vivo momento de passagem, de contradição, de confusão. Gosto de decadentes, mas nem tanto. Gosto daqueles que se manifestam e se impõe contra o tipo estabelecido, contra o formal ditado pela moda, pela religião, por todas a ditaduras. Aquela loucura rebelde e elegante do James Deam.

De algum modo eu também me manifesto. Não sou nenhum punk, emo, dark, etc... sou um ser comum, quase igual na aparência a todo mundo. Mas dentro de mim há a ebolição da revolta. Um vulcão que não adormece nunca e que vezes por outra libera larvas e fumaça. Termino por ser também uma dessas figuras que tanto atraíram o Renato Russo a ponto de ele dormir com os tais na sarjeta. Exagero dele, eu acho. Mas Renato era maior que tantos, maior que eu, com certeza. É que eu gosto mesmo é dos meus lençois limpinhos e cheirosos. Gosto da tecnologia da TV a cabo e de comer na minha cozinha clean e de sentar no vaso sanitário branquinho e só meu.

Quanto apego!

Wanderley Lucena

Um comentário:

Madá disse...

Quantas contradições!